Proliferação de blogs, invasão da privacidade ou inversão de valores?

Bom dia. Há alguns posts venho solicitando e sugerindo que você, seguidor, leitor e visitante eventual, ao ler e comentar, deixe também sugestões para textos. Dessa forma é possível atender suas curiosidades, suprir necessidades ou até mesmo expor meu pensamento sobre assuntos que interessem a você.

Uma amiga leitora fez a sugestão do assunto. Ah, se não ficou claro, é sobre blog. Inicialmente, a definição de blog é (ou seria) diário (não obrigatoriamente escrito numa constância cotidiana) eletrônico. Com o passar do tempo (e o tempo tem passado rápido, né?), a definição sofreu algumas alterações, conforme o uso e utilização do blog. Tenho lido alguns blogs. Nem sempre, confesso, me manifesto. Por quê? Porque é tanta porcaria que a gente vê publicada por aí. E esse lixo eletrônico que invade as telas de computador, telefones inteligentes, outras formas de contato, de atualização é tanto… É impossível comentar sobre tudo. Sobretudo sobre a vida privada, particular, íntima das pessoas. Afinal, quem posta em rede social alguma coisa como “são 4 da manhã e levantei pra ir ao banheiro” é um absurdo tão grande, é um disparate tão… inaceitável! que eu me nego a comentar.

Entretanto (sempre há uma alternativa aceitável), nem tudo o que se vê por aí é lixo ou diário de adolescente, apenas para citar alguns exemplos. Não vou postar links de blogs porque não quero ser injusta com ninguém. Afinal, falhas ocorrem, esquecimentos acontecem. E amigos melindrados podem se tornar inimigos. Até porque é tudo uma questão de opinião e de gosto. Eu sei quais assuntos e blogs me interessam mais. Posso te ajudar a selecionar, caso queira.

A leitora amiga sugeriu um post que explicasse essa enxurrada de blogs. Como eu posso explicar isso? Acredito que a tecnologia está ocupando um papel inverso. A tecnologia está ocupando o lugar de amigos reais, de carne e osso, palpáveis, cujo olhar cruza com o nosso e nem é preciso dizer nada. Um movimento de cabeça, um jogo de cabelos ou até um aceno dizem mais do que mil palavras. Há vários textos, artigos, estudos, ensaios justificando e advertindo sobre o final de impressos como jornal,  livro, revista…

Amigos, relacionamentos, opiniões, discussões, divergências de pontos de vista, abraços, beijos, folhas folheadas, leitura de feições e de páginas… tudo isso emociona. E nada move mais o ser humano que as emoções. Escreva. Faça seu livro de poemas ou romance, ou novela ou ensaio, guarde em arquivos; envie a amigos ou editores. Publique seu blog. Publique seu livro. Publique seu artigo. E esteja preparado para o abraço do leitor que vai pedir um autógrafo na noite do lançamento. Esteja preparado para o leitor que te reconhece, identifica na fila do cinema ou do teatro. Esteja preparado para abraçar e acolher as opiniões que vêm com abraços, sorrisos, piscares de olhos… Não se permita ser invadido pela vida pública internáutica. Desenvolva seu talento de escritor. Aprimore sua capacidade de fazer amigos.

Até breve.

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6 Respostas para “Proliferação de blogs, invasão da privacidade ou inversão de valores?”

  1. Michelle Disse:

    Olá, Ana! Fico feliz por você ter acatado uma sugestão minha tão prontamente! Quando vi atualizações no seu blog, fiquei logo curiosíssima!

    Bom saber a sua opinião. Concordo com muito do que foi dito e acrescentaria mais, pois também tenho lido alguns blogs (e também muitas vezes sem comentar) e observado excessivamente (mais do que eu gostaria) o comportamento das pessoas que tem blogs, ou melhor, das pessoas “por trás” dos blogs. Notei que as usuais ferramentas das pessoas são as de construir uma nova identidade, uma virtual, privilegiar qualidade, omitir defeitos, esquivar-se de julgamentos e, principalmente, bombardear opiniões.

  2. Michelle Disse:

    (ops! Desculpe! Esbarrei no botão e enviei o comentário incompleto!)

  3. Michelle Disse:

    (continuando)
    Não que eu veja algum problema nisso tudo. Aliás, no quesito “esquivar-se de julgamentos” acho que um blog é uma ferramenta valiosíssima: o que será julgado é o que você escreve, como escreve e porque escreve. Não a sua foto, sua formação acadêmica, sua profissão e demais etiquetas.
    O problema que eu vejo está na seriedade com que se usa esta ferramenta. Uma opinião deixa de ser interessante quando acrescenta pouco a quem lê ou quando se restringe muito a um cotidiano particular irrelevante. Quem quer saber sobre a vida dos outros, assiste “Big Brother”. Quem se interessa pela opinião alheia, lê. É importante que estes leitores dispostos a discutir conteúdo e opinião sejam bem atendidos, mas infelizmente não é isso que acontece.
    A maioria se preocupa pouco com o que é dito, escreve mal, expõe muito da vida particular e não acrescenta nada para o coitado que, por um acaso, caiu naquele link.
    Desanimador.
    Enfim, fica meu pedido aos blogueiros por um bom conteúdo. Que levem a sério o que escrevem. Não que não exista isso, mas existem poucos, como você mesma disse.
    Seja o blog sobre culinária, esporte, flores, animais, sempre vai haver leitor para um assunto específico, basta que quem discorra sobre o faça com seriedade e comprometimento. Ou de nada adianta. Entre falar bobagem e não falar nada, o que você prefere?
    Eu também percebo a inversão dos valores, nomeadamente a substituição dos amigos reais pelos virtuais. E acho que isso é caso de patologia.
    O melhor conselho do seu texto é, sem dúvida, o de não se deixar invadir pela vida pública internáutica.

    Um abraço e desculpa pelas delongas!
    Michelle.

  4. Ana Lúcia Disse:

    Michelle,

    seus comentários, observações, sugestões, palpites são super bem-vindos. Mande. Mande sempre. Ah, compartilhe suas experiências de revisão também. Por email ou por aqui, como preferir.

    beijão

    Ana Lúcia

  5. Joemir Disse:

    Ana, ler esse seu post me trouxe à memória um fato que já tinha quase esquecido, afinal já faz algum tempo (“…e o tempo tem passado rápido, né?”). Quando fiz um vestibular lá em Minas, o tema da redação era o fim de algumas formas impressas de comunicação, como exemplo o jornal, visto a febre da internet na época. Isso já faz uns 10 anos, mas hj percebo que o ponto de vista que defendi naquela redação não estava de todo errado.
    Lembro de ter defendido a idéia de que uma notícia (ou qualquer coisa do gênero) vista a partir de uma tela de computador não conseguiria, nem de longe, substituir a sensação do toque ao se abrir um jornal logo cedo durante o café, ou de passar os dedos por uma folha de revista numa sala de espera, no aeroporto… quem dirá substituir o prazer de se ler um livro encostado na cabeceira da cama. Hoje vemos que os jornais estão por aí cada vez maiores, as revistas cada vez mais “estilizadas”, e o que falar então dos livros (os ranks de publicação anual que o digam!).
    Pois bem, e o que falar então das relações humanas?! Ok, há de se admitir… talvez hoje, ao longo de uma semana, eu passe mais tempo enviando e-mails ou “conversando” no msn, do que sentado ao lado de alguém num café, num restaurante, num banco qualquer. Mas ainda assim, nada substitui (como vc falou) o olhar, a presença. Ana, adoro nossas conversas virtuais, lógico. Mas diz aí: não é bem melhor quando as temos caminhando pelo Ibirapuera ou então pelo Bosque do Papa?! rs
    As facilidades virtuais estão aí, podemos desfrutá-las. Desde que elas, de tempos em tempos, também sejam deixadas de lado para dar lugar à presença, à companhia.
    Mas enquanto novas oportunidades destas não aparecem, digo que é um prazer ler seus posts aqui!!

  6. Michelle Disse:

    Ana, esta semana postei um texto falando sobre um livro que gosto e fazendo um paralelo com o comportamentos de mulheres. Essa reflexão me levou a outras…
    Sendo mais objetiva, pro lado de cá tá um “bafafá” sobre um tal DSM 5a edição. É um Manual Estatístico de Doenças Mentais feito pela Associação Americana de Psiquiatria. Já li dois artigos curtos a respeito (um deles: http://aeiou.expresso.pt/e-a-depressao-uma-invencao-americana=f573870), mais ainda não li o dito “manual” (tô curiosa! tem disponível on line aqui: http://www.psych.org).

    O que achei mais interessante foi um jornalista dizer que os EUA estão exportando transtornos mentais… Eu gostaria de acreditar nisso, de verdade. Só que preciso ler mais.

    Você viu alguma coisa a respeito pros lados daí?

    Um abraço lisboeta,
    Michelle.

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